DANIELA LAGO ALVES DE
OLIVEIRA EUSTÁQUIO
HISTÓRIA E MEMÓRIA DA ETFRN (1968-1998) E A GESTÃO DA PROFESSORA
LUZIA VIEIRA DE FRANÇA
Comecei a estudar a
escritora Palmyra Wanderley (1894-1978) um pouco por acaso. Há alguns anos,
ainda na graduação em Letras (UFRN), em 2004, quando participava como aluna de
iniciação científica, na base de pesquisa em Estudos Culturais, coordenada pelo
Prof. Dr. Humberto Hermenegildo.
A intenção do grupo
estava voltada para o resgate cultural e literário de escritores modernistas do
nosso Estado. Naquele momento, líamos e discutíamos críticos literários, como: Roberto
Schwarz, Antônio Cândido, Alfredo Bosi, entre outros teóricos. A busca inicial
era compreender se, no nosso Estado, tínhamos um sistema literário que
caminhava junto com as mudanças estéticas que ocorriam em outros centros
urbanos.
Nesse trajeto, passei a
frequentar o Instituto Histórico Geográfico do Rio Grande do Norte1 (IHGRN) e a
investigar nos jornais do período dos anos 20 (datação próxima do início do
Movimento Modernista). Parti do princípio que o jornal retrataria, entre outros
aspectos da cidade, o contexto cultural da cidade de Natal (RN). Tive acesso
somente ao jornal A República, e alguns não estavam em boas condições de
manuseio. Mesmo sem saber ao certo qual escritor(a) encontraria naqueles
jornais, a leitura era instigante, pois, a partir daqueles impressos, eu estava
conhecendo um pouco mais a história da nossa cidade do Natal.
Havia semanas que
conseguia encontrar algo do meu interesse; e outras que não achava informações
que pudessem contribuir com a proposta da base. Até que fui percebendo uma
recorrência de textos da escritora Palmyra Wanderley. Ela tinha espaço,
principalmente, nas primeiras páginas do jornal. E isso começou a me chamar a
atenção. Aos poucos, fui coletando todos os textos que encontrava dela.
Transcrevia-os, fielmente a escrita original, pois, a direção IHGRN não
permitia fotografar. Anotava as principais informações como o dia de
publicação, a página, o nome da coluna. Os textos foram se avolumando e
resultou no formato de uma pesquisa incipiente, ainda na graduação; efetivou-se
em um projeto de iniciação científica, que também colaborava com o acervo do
Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses (NCCEN)2 , o qual ainda
estava se consolidando na época. Com o tempo e com os processos de leituras, o
corpus da pesquisa proporcionou o entendimento literário e rendeu-me a produção
de alguns artigos e participações em palestras e congressos.